BANDA BLACK RIO – ANOS 70 E OS BASTIDORES DE UM GRANDE ÍCONE DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA

A Banda Black Rio é um grupo carioca formado em 1976 com repertório fundamentado na música funk misturada com samba, jazz e ritmos brasileiros. A idéia surgiu a partir do produtor Don Filó, na época contratado pela WEA Discos (Warner/Elektra/Atlantic) onde pilotava o sucesso fonográfico das equipes de som com os parceiros Alcione Magalhães (irmão de Oberdan Magalhães) e Nirto Promoções (primo de Don Filó).

A equipe Soul Grand Prix, que liderava as vendas de disco pelo movimento black resolveu inovar no lançamento do seu segundo LP pela WEA, criando em 1976 uma surpresa para os black e o mercado fonográfico. Don Filó convenceu a cúpula da gravadora (Andre Midani e Mazola) a incluir uma faixa instrumental da música “Juju Man” do grupo alemão “Passport” no novo LP da Soul Grand Prix – a única faixa produzida em estúdio, já que as demais eram fonogramas extraídos da coletânea black da gravadora. O músico Oberdan Magalhães foi arregimentado para montar o arranjo e o grupo que teve como base o grupo “Azimuth”, além dos saudosos Oberdan Magalhães, Barrosinho e Marcio Montarroyos. Com um swing samba/funky/Brasil, a música foi um sucesso nas pistas de dança black. Estava aberto o caminho para a criação da Banda Black Rio, que envolveu Luis Carlos (bateria e percussão), Barrosinho (trumpete), Lucio (trombone), Claudio Stevenson (guitarra), Jamil Joanes (baixo), Cristovão Bastos (piano).

A produção do primeiro álbum foi do produtor Mazola, cabendo a Don Filó a coordenação artística e concepção de repertório, juntamente com Oberdan Magalhães. Antes das gravações no estúdio Level em Botafogo, a banda se enclausulou durante 2 meses para selecionar e ensaiar as músicas que iriam compor o repertório do primeiro álbum, entre elas “Na baixa do Sapateiro” de Ary Barroso; “Urubu Malandro” de Lourival de Carvalho “Louro” / João de Barro; “Baião” de Luis Gonzaga / Humberto Teixeira; “Casa Forte” de Edu Lobo; além de novos temas propostos pela banda, como “Maria Fumaça” de Oberdan / Luis Carlos; “Mr Funky Samba” de Jamil Joanes; “Caminho da Roça” de Oberdan / Barroso; “Metalúrgica” de Cláudio Stevenson / Cristóvão Bastos; “Leblon Via Vaz Lobo” de Oberdan Magalhães; e “Junia” de Jamil Joanes.

No embalo do sucesso da música “Maria Fumaça” tema de abertura da telenovela Locomotivas da TV Globo em 1977, surgiu outra importante produção do mesmo grupo na WEA. Carlos Dafé se destacaria com o seu primeiro álbum pela WEA, obtendo muito sucesso e emplacando a música “Pra que vou recordar o que chorei” na telenovela “Dona Xepa” da TV Globo. A banda gravou um total de três discos: Maria Fumaça foi o primeiro álbum, originalmente lançado em 1977, e o segundo Gafieira Universal, lançado em 1978 pela RCA. O terceiro álbum, Saci Pererê, foi lançado em 1980.

Outro fato interessante que marcou os bastidores do mercado foi a competição entre as gravadoras, de um lado a WEA que chegou contratando artistas como Gilberto Gil, Zezé Motta, Frenéticas, Ney Mato Grosso, Candeia e a equipe Soul Grand Prix que chregou a WEA, graças a marcas expressivas obtidas com a venda do seu primeiro álbum lançado pela Top Tape, tendo a frente o lendário produtor Ademir Lemos. Na época, o NOPEM (sistema de pesquisa de vendas e execução fonográfica) acusou por várias semanas o LP Soul Grand Prix a frente do Rei Roberto Carlos da gravadora CBS. A concorrente mais forte da WEA era a poderosa PHILIPS/POLYGRAM que tinha nos seu elenco de Caetano Veloso à Tim Maia; de Gal Costa à Nara Leão. A concorrência entre as gravadoras chegaram também nas equipes Soul Grand Prix de Don Filó e Blackpower de Mr. Paulão, ambas contratadas respectivamente pela WEA e Polygram para lançarem suas compilações de fonogramas de sucesso nas pistas dos bailes que ferviam no subúrbio carioca.

Gravada para integrar o álbum de lançamento da Soul Grand Prix na WEA, a faixa “Juju Man” da banda “Hot Stuff Band” (nome fictício dado ao grupo que mais tarde seria a base da concepção para a Banda Black Rio) fez com que a concorrência se acirrasse mais ainda. Rapidamente a Polygram criou o projeto de uma banda black, arregimentando Gerson King Combo e a Banda União Black. A Polygram lançou antes da WEA, gerando um certo desconforto e mal entendido do que seria esta nova concepção musical. O movimento ganhou com tudo isto, nascendo um novo cenário black com a presença da musicalidade negra brasileira, onde outrora só se curtia a musicalidade americana, sob a tutela de James Brown, por acaso da gravadora Polydor/Polygram.

A continuidade da Banda Black Rio

O grupo foi desfeito em 1984, com a morte de Oberdan. Em 1999 o filho de Oberdan, William, após aprofundado estudos e sob a responsabilidade de manter o nome vivo da Banda Black Rio como projeto de grande valor cultural, decide recriar a banda. Em 2001, a banda consegue fincar o respeito cultura musical da Black Rio e lança o álbum “Movimento” pela Regata Music. Um pouco diferente das anteriores formações, onde o repertório era de basicamente instrumental, o novo álbum tem faixas com vocais: o cantor e compositor Cassiano assina a direção vocal do disco. Em 2002, a Banda Black Rio lança na Inglaterra pelo Selo Mr Bongo o album Rebirth. A banda conquistou respeito internacional, tendo influenciado bandas como Incognito e Jamirokay, esta útima, uma banda de pop/acid jazz que vendeu 20 milhões de discos.

Em 2011, a Banda Black Rio, ainda sob liderança do William Magalhães e ainda mais fortalecida, segue como referência musical no mercado e lança o álbum Super Nova Samba Funk pelo respeitado selo Inglês, Far Out Recordings. Esse disco tem participação de aclamados artistas como Mano Brown, Giberto Gil, Caetano Veloso, Seu Jorge, Elza Soares, Marcio Local, Aleh Ferreira. A banda tráz todos elementos das formações anteriores o samba com funk, o jazz com o soul, e além disso acrescenta o hip hop e rap como batida contemporânea. Isso dá uma nova prospecção internacional à banda.

Confira aqui os vídeos Cultne da Banda Black Rio

Black Rio 2012 – Praça Tiradentes – RJ

Circo Soul com a Banda Black Rio – 2008

Banda Black Rio & Duguettu – 2007

Banda Black Rio & Mario Broder – 2007

Banda Black Rio & Thales – 2007

Banda Black Rio convida Ed Motta e Luis Melodia – 2000

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