CELEBRAMOS UM NOVO TEMPO COM OS CURTAS CULTNE EXIBIDOS NA SUA TOTALIDADE NO YOUTUBE

Com a abertura concebida pelo Youtube para inserção de vídeos com mais de 15 minutos, o Cultne inicia uma nova era de veiculação de seu acervo, já que as obras mais longas poderão ser vistas completas. Para começar temos duas obras gravadas na década de 80. Da pareceria Enugbarijó e Cor da Pele, apresentamos o curta AfroMemória, Anos de história em movimento!. Documentário sobre os 20 anos (1981/2001) do movimento negro carioca feito a partir dos arquivos do Enúgbarijo Comunicações e CP Produções com a marcha de 88, a soul music dos anos 70 e entrevistas de Lélia Gonzales, Abdias de Nascimento e Yedo Ferreira e participação da Zézé Motta.

A outra obra é o curta I Grito de Liberdade da Cruzada São Sebastião que registrou o evento na Cruzada São Sebastião, considerado um quilombo entre os bairros Ipanema e Lagoa, zona sul da cidade do Rio de Janeiro. O eventou marcou um dos momentos mais importantes na luta do Movimento Negro em conceber a memória a Zumbi dos Palmares. Na oportunidade, a comunidade negra reconhecia a luta de Palmares como mais importante do que a Abolição da escravatura comemorada no 13 de maio.

I Grito de Liberdade da Cruzada São Sebastião
Em 1988, A equipe Cor da Pele- CP Produçao e Vídeo registrou o evento com a equipe composta por Filó Filho, Osmar Max, Reinaldo Mesquita, Raimundo Santa Rosa e Adilson Gato. O eventou marcou um dos momentos mais importantes na luta do Movimento Negro em conceber a memória a Zumbi dos Palmares. Na oportunidade, a comunidade negra reconhecia a luta de Palmares como mais importante do que a Abolição da escravatura comemorada no 13 de maio.

No bairro de Ipanema, na Cruzada São Sebastião – considerado um quilombo em meio a zona sul da cidade do Rio de Janeiro foi realizado o evento Zumbi Vive, programação que ocupou o dia 13 de maio no I Grito de Liberdade da Cruzada São Sebastião. Lá estiveram várias lideranças comunitárias, sem participações de políticos que não época se alternavam nas comemorações do ano do Centenário da Abolição da Escravatura.

Milhares de pessoas lotaram o ginásio local com uma programação que contou com um desfile de moda com apresentação da percussionista Regina Café o ballet afro da comunidade ao som do reggae de Bob Marley, shows de artistas locais, em especial o cantor e compositor Macau, autor do hit “Olhos Coloridos”. A enfermeira e militante do movimento negro, Margareth Bárbara realizou uma performance teatral. Lá estivertam várias personalidades, como o produtor e DJ Ademir Lemos, o professor Paulo Roberto dos Santos (Paulo Boca) e tantos outros.

Afro Memória, 21 anos de história em movimento!
Documentário sobre os 20 anos (1981/2001) do movimento negro carioca feito a partir dos arquivos do Enúgbarijo Comunicações e CP Produções com a marcha de 88, a soul music dos anos 70 e entrevistas de Lélia Gonzales, Abdias de Nascimento e Yedo Ferreira e participação da Zézé Motta.

A emergência do Movimento Negro Brasileiro, no final dos anos 70, corresponde com o final da ditadura militar de 1964. Durante os anos 80 e 90, muitos encontros, congressos e demonstrações públicas foram organizados em grandes cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Brasília, para denunciar o racismo e discriminação racial sofridos pela população afro-brasileira, desde os tempos coloniais.

Um aspecto da plataforma política do Movimento Negro foi a questão do direito dos afrodescendentes de contar a sua própria história, denunciando a postura oficial de obliterar a história africana e diminuir a contribuição dos escravos e afro-brasileiros na formação social, cultural e econômica do Brasil. O movimento ressaltou a importância da inclusão da história africana e afro-brasileira no currículo escolar. Apesar da proliferação de encontros, demonstrações e eventos festivos, o movimento não chegou a atrair a atenção devida da mídia do país.

Esse movimento socio-cultural desacreditado ou diminuído por seus adversários e relegado a invisibilidade pela mídia conseguiu, mesmo assim, se organizar e introduzir suas reivindicações na agenda política e social brasileira. Numa indicação significante do seu sucesso, a delegação brasileira na Conferência Mundial Contra o Racismo de Durban em 2001 só perdeu para os anfitriões sul africanos em número de participantes.

Esse trabalho de restituição da memória social reintegra a imagem do Movimento Negro, resgatando-o da invisibilidade imposta pela mídia durante os anos 80 e 90, mas sofre da fraqueza de fontes documentárias, das quais muitas foram perdidas nos últimos anos ou permanecem espalhadas em arquivos particulares.

Por essas razões o trabalho de duas produtoras de vídeo independente: a Enúgbarijo Comunicações criada por Adauto de Souza Santos e Vik Birkbeck em meados de 1981, e Cor da Pele Produções de Asfilófio Filho e Carlos Medeiros em 1982, é de importância fundamental.

Muzenza, a dança da Iniciação – Candomblé

Enugbarijó Comunicações registrou com imagens de Vik, Adauto e Lysie, agitos de Iara e direção de Paulo Farias, a produção contou com o Axé do Ilê de Mofe Oia Bale, Ilê Axé Azoane, Yalorixá Beata de Yemanjá, Ylaorixá Gina, Nininho, Sueli, Deca, Luis, Santa, Larri, Jorge, Delmo, Ricardo e Afonso. No ajeum a força de Ceceia e força dos amigos do Mercadão de Madureira: Ilê Odara, Luar do Boiadeiro, Laço do Boaideiro, Luz D’Angola e Aves da Galeria.

A logística contou com o apoio da Brahma, Carlinhos Flores, Arariboia Artigos Religiosos, e também com a participação do Grupo Onijo Olokun com os dançarinos Paulinho ( Oxossi); Eneida (Yemanjá e Iansã), Renato (Logun Ede), Valeria (Oxum e Nana); Gilberto (Oxalufan); Jocelin (Oxaguian); Gilberto (Exu); Helena (Bombo-Gira); JOcelin (Obaluâe); e as crianças Carlos, Vania e Ricardo.

Ras Adauto e Vik Birkbeck fundaram na década de 80 a Enúgbarijo Comunicações, que levou o nome do exú messageiro, a Boca Coletiva. Com o advento das primeiras câmeras de vídeo portáteis e independentes, percorreram toda cidade do Rio de Janeiro, onde eram facilmente avistados pelas ruas, morros, avenidas, salões,cidades como Volta Redonda, Juiz de Fora, Belo Horizonte, Salvador e São Paulo. O resultado é um gigantesco acervo de material em vídeo que pode ser visto no acerevo CULTNE.

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